QUEM ENSINA SEMPRE APRENDE


30.8.07

Do fundo do baú


Foto típica. Ano de 1969. Eu tinha 7 anos (ganha um prêmio quem adivinhar onde estou...), na minha primeira escola, com a minha primeira professora. Chamava-se Tereza Poças Resende. Lembro também o nome de alguns meninos e meninas: Vladimir, Edmilson, Kátia, Selma... A escola ainda está lá, no subúrbio do Rio, bastante maltratada pelo tempo: Escola Lauro Sodré.


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29.8.07

Slogan sem pés nem cabeça

Para combater a poluição causada pelos automóveis, incentivando as pessoas a andarem mais: "Seja amigo de suas pernas, ande com elas!"


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28.8.07

Os robôs sonham?

Feitos à nossa imagem e semelhança, os robôs nos amam e nos odeiam. O pequeno filme abaixo - Robot Dreams - foi inspirado num conto de Isaac Asimov.




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27.8.07

Para que tantas chaves?

Somos vítimas de comodismos os mais secretos e tenazes. De preguiças sorrateiras, difíceis de identificar. E ainda mais difíceis de extirpar. Somos vítimas inconscientes de rotinas apodrecidas, rotinas que ficam grudadas em nós, anos a fio.

Mas de repente é possível abrir os olhos, tomar decisões, e desfazer-nos do peso morto. Toda decisão é cisão, corte corajoso, mudança de comportamento mental, com resultados práticos.

Vivia eu, até a semana passada, com um molho de sete chaves excedentes dentro dos bolsos. Não sei como foram se acumulando, mas lá estavam, fazendo seu inútil barulho. Chaves médias, pequenas e grandes que me atrapalhavam na hora de encontrar as três de que efetivamente preciso: do portão do prédio e das duas portas do apartamento.

Subitamente, olhando para elas em cima da mesa, perguntei-me o que faziam dentro da minha vida, que portas abririam, que cadeados, que armários, que gavetas, que tampas, que gaiolas, sei lá... Eram sete chaves enigmáticas, sufocando as três chaves cotidianas e reais. Em dado momento aquelas sete chaves tiveram alguma serventia... Agora estavam lá, estranhas, sem endereço e sem razão.

Eu não tenho casa de campo, não tenho automóvel, não tenho caixas secretas, não tenho cofres, não tenho nada a chavear. Nem sou São Pedro para deter as chaves do céu! Afinal, para que tantas chaves, meu Deus?

Uma delas, a menorzinha, começou a me incomodar mais do que todas. Que diabo de pequena fechadura acolhia aquela chaveta e a ela obedecia docilmente?

E havia um chavão que impunha respeito. Deve ter sido útil em algum distante lugar do passado... Se útil foi, a memória já não saberia dizer para quê.



Chaves simbolizam poder. Quem pode abrir e fechar jaulas e cárceres sente-se o dono da liberdade. Que poder terá, ao contrário, aquele que não sabe para que servem as chaves, chavinhas e chaverões enfiados no seu bolso?

Por mais de 4 anos carreguei chaves desenxabidas, incompatíveis com qualquer porta que eu ainda conhecesse. Fizesse sol ou chuva, lá estavam aquelas chaves, disponíveis para coisa nenhuma.

Então, veio a já demoradíssima decisão. Retirei aquelas sete chaves imprestáveis do chaveiro e as joguei dentro de uma gaveta qualquer. Com a simplicidade de uma vida resumida a apenas três chaves, fui passear. As sete chaves que um dia tiveram algum valor para mim não me prendiam mais.


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26.8.07

Leituras de Alain

Lendo o blog de Marcelo Coelho, deparo com essa passagem, do dia 25.08.2007: "estava lendo também o começo de um livro de Alain, não estou com paciência para me lembrar do título, mas os primeiros capítulos eram sobre a noite, o sono e a insônia. Incrível que não tenham nunca traduzido para o português, ao que eu saiba, livros desse grande escritor-filósofo."

Existe, sim, um livro de Alain traduzido para o português: Idéias. Saiu pela Editora Martins Fontes, 1993. Teria que pesquisar para saber se antes disso não houve outra(s) iniciativa(s).



Já ouvi outras pessoas se queixarem da ausência de Alain (1868-1951) em língua portuguesa. Meu amigo diplomata Felipe Fortuna é um deles. Quem o lê, geralmente o faz no original. Tenho comigo Propos sur le bonheur e Propos sur l'éducation.

Talvez um obstáculo (entre outros) para essa difusão esteja na questão dos direitos patrimoniais do autor. Pelo que sei, as obras de um autor só caem em domínio público 70 anos contados a partir do 1° de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento. No caso de Alain, se assim for, seus livros só estarão em domínio público de 2022 em diante.


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24.8.07

Concurso literário patrocinado pela Autêntica Editora

Vale a pena participar deste concurso. O patrono é ele mesmo uma biblioteca viva. E a Autêntica, uma casa editorial da "melhor qualidade", para usar uma das expressões preferidas da minha amiga Profa. Terezinha Rios.




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22.8.07

Uma notícia paralela, ou nem tanto

No dia 16 de agosto, O Estado de S. Paulo publicou notícia atípica, com título meio malicioso: "Churrasco de Tarso acaba com ministro mordido". O ministro mordido foi Fernando Haddad. Que aparece numa caricatura encomendada ao ilustrador Baptistão.



O resultado do churrasco foi a mordida... Graças ao subtítulo – "Cocker ciumenta estranha Haddad" – e ao restante da matéria (assinada por João Domingos, de Brasília), vemos que tudo não passou de um susto. O curioso é que a mordida ocorreu "há pouco mais de um mês", possivelmente no início de julho. Por que tanto tempo para noticiar o acidente? E um acidente tão inexpressivo?

"Era domingo, no fim de um churrasco na casa de Tarso. Haddad foi até a cadeira onde estava Sandra para se despedir e Faísca, no colo dela, não gostou da aproximação do desconhecido e reagiu com uma mordida. [...] Tarso sugeriu que a ferida fosse lavada com água e sabão; depois, tratada com o velho mercúrio cromo. Depois ainda, lembrou de aconselhar Haddad a procurar um médico imediatamente. Mas o ministro da Educação apenas lavou o local com água e sabão. Alegou que fora um arranhão, apenas."

Faísca, o nome da cadela, combina com o clima do churrasco... A mordida anunciada torna-se mero arranhão. O ministro Tarso naturalmente mantém em dia a carteirinha de vacinação da cadela. Mas, afinal, que sentido tem essa matéria?

No site da Revista Época, Thomas Traumann, colunista de política e chefe da sucursal da revista no Rio de Janeiro, filtra a notícia e faz a sua piada, no próprio dia 16:

"O ministro da Justiça, Tarso Genro, tem se esforçado para ganhar musculatura política, mas dessa vez foi traído dentro de casa. A sua cadela cocker spaniel, Faísca, mordeu de raspão o rosto do ministro Fernando Haddad (Educação), informa O Estado. Acho que alguns amigos vão recusar os próximos convites para um churrasco na casa de Tarso."

O que a mordida tem a ver com as reuniões realizadas nos bastidores de Brasília, mesmo em ritmo de churrasco domingueiro? Haverá algum significado arcano no fato de uma cadela morder, mesmo que levemente, o rosto de um político? E será esse político (ainda) desconhecido? "Faísca" sugere algum tipo de simbolismo no contexto dos planos e acordos em busca de um candidato petista que dispute as próximas eleições para a Presidência da República?

Talvez mais adiante encontremos alguma pista... A matéria sobre a terrível mordida encontra-se na página A9. Vide verso. Na página A10, Lisandra Paraguassú refere-se a outra mordida, esta nas reservas do MEC: "Nove ONGs desviaram R$ 2,2 milhões do governo". Prometeram alfabetizar jovens e adultos e não o fizeram. Embolsaram a verba, mas não ensinaram o verbo.

Em julho, a mídia havia denunciado a existência de irregularidades no programa Brasil Alfabetizado. O MEC não disse que não viu. Foi ver. Fez auditoria. E devolve à mídia mais informações. As investigações continuam. Muita água e sabão para cuidar dessa mordida!


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21.8.07

Pensamento em dia

Inspirado na leitura de Kasparov: os nossos adversários são os nossos melhores professores.




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20.8.07

Ler, pensar e escrever

Esses três verbos, que sugerem uma ação progressiva - "ler" com uma sílaba, "pensar" com duas, e "escrever" com três sílabas -, são o meu dia-a-dia. Leitura variada, se possível, mas a tendência é sempre voltar para os temas preferidos.

Estou lendo, ao lado de outros títulos sobre pedagogia, história, religião, filosofia e literatura, tudo simultaneamente, o fulminante Xeque-mate, de Garry Kasparov, pela Campus.



A vida vista de modo enxadrístico. A arte de tomar decisões. Analogia entre a vida pessoal, a vida corporativa, e a vida das peças de xadrez.


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19.8.07

Banhar-se nas águas dos livros

Antes que a água acabe, nada como mergulhar na leitura. Comprei ontem dois livros de Irvin D. Yalom, terapeuta e romancista que suponho tenha relações com o pensamento do excelente Viktor Frankl.



Comprei O carrasco do amor, e Os desafios da terapia. De Yalom, eu já li Quando Nietzsche chorou, envolvente, A cura de Schopenhauer, muito interessante, embora as últimas 10 páginas deixem a desejar, e Mentiras no divã que, para falar a verdade, li até o fim pulando trechos e mais trechos...


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18.8.07

Securas e menos água

Seca em São Paulo. Dias secos. Ruas secas. Ar seco. Secando, sequinho. E ainda a Sabesp vai interromper o fornecimento de água para realizar um trabalho urgente de manutenção no Sistema Cantareira.

Vou à lista da Sabesp saber se no bairro onde moro teremos água ou não.



O nome do meu bairro está incluído na lista seca...


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17.8.07

Banho de livraria

Banho de livraria é fundamental. O historiador Paul Johnson diz que "escrever é transbordar". Portanto, para escrever, ler, ler, ler, ler. Heidegger, Valéry, Moacyr Scliar... E um livro curioso, Cultura geral, de Dietrich Schwanitz (pela Martins Fontes).



O autor, já falecido, parecia ter um senso de humor especial. Neste livro, por exemplo, brinca com aquelas pessoas que, desejando parecer mais cultas do que são, dizem não ter um aparelho de TV em casa...


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16.8.07

A batalha com os livros

Boa parte da manhã lutando com os livros. Buscando um Popper, perseguindo um Borges, apanhando de um Nietzsche. Organizar a biblioteca é, para mim, parte do método da escrita. Enquanto arrumo os livros, as idéias se arrumam dentro da cabeça. E... mãos ao teclado!


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15.8.07

Pensamento em dia

Uma boa maneira de manter o pensamento em dia é não pensar em nada de vez em quando...


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14.8.07

Escrever

No dia 13 entrevi novos trabalhos. Novos textos. Novos livros. Segunda-feira 13. Uma sorte.

E agora... mãos ao teclado!




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12.8.07

Processos de vertigem

Próximo da fila: Réquiem para um sonho (2000). Um filme que ajuda a entender o que o filósofo espanhol Alfonso López Quintás denomina "processos de vertigem". No início, tudo é euforia. As drogas, os sonhos vazios, as apostas em caminhos fáceis... mas não tão fáceis, se bem analisados.

Os processos de vertigem em geral começam com opções baseadas na busca do prazer egoísta e na ânsia de poder. Esses processos, que vão acumulando decepção atrás de decepção, se não detidos a tempo conduzem à angústia e ao desespero. Os quatro personagens desse "réquiem" vivem esse processo.



Em contraste, os processos de êxtase, que implicam adesão a valores exigentes e, como conseqüência, algum tipo de sacrifício e renúncia, levam a pessoa à felicidade interior e à esperança.


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11.8.07

Um filme hiperbólico

Mais um fim de semana nublado, o que convida a assistir a filmes que estão na fila de espera.

Chegou a vez do 300. Uma autêntica hipérbole. A brutalidade, o muro de cadáveres, a altura dos vilões, o número de flechas cobrindo o sol, a vileza, as belezas e disformidades.

Hiperbólicas também as noções de honra e lealdade. Leônidas é tentado pelo poder, encarnado por Xerxes, o demônio feito gente.




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11.8.07

Ética?

Um amigo descobriu que em 2005 alguém (não me disse ele quem) enviou a um vendedor de trabalhos acadêmicos a seguinte mensagem:

"Gostaria de que me passassem o valor de quanto ficaria o resumo do livro : Filosofia ética e literatura de Gabriel Perisse. Só que ele é dividido em duas partes eu só queria a 2º parte.
Obrigado . Aguardo Resposta O mais rápido possivel."

Não sei se é para rir ou para chorar. Quanto terá custado o resumo? Teria sido muito mais proveitoso que a pessoa lesse o livro, sobretudo quando aborda o tema da ética...


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10.8.07

Pensamento em dia

A felicidade do vizinho sempre ilumina um pouco o meu terraço.


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8.8.07

Lançamento na Daslu

Primeira vez que vou à mítica Daslu (verdadeiro passeio sociológico, a merecer análise). Mas não vou em busca de gravatas caríssimas ou de sapatos milionários. Foi o lançamento do livro O papel do educador na era da interdependência (Clio Editora), de Valdir Cimino, fundador do Viva e Deixe Viver.



Uma das idéias do livro: o educador é uma mídia. Isto leva a pensar na aula como performance, na qual entram em jogo informação e metáfora, cores e valores, sensações e histórias, conceitos e gestos.


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7.8.07

O novo vocabulário da tragédia

Um professor de língua portuguesa me ensinou que existem, grosso modo, dois tipos de vocabulário.

O ativo, que empregamos com relativa freqüência na comunicação oral e escrita, seja de maneira informal, seja num contexto técnico, científico ou profissional. E o vocabulário passivo, composto por palavras que não empregamos no dia-a-dia, nem na conversa fiada nem na sisuda reunião de trabalho, mas graças às quais, no entanto, com maior ou menor precisão, compreendemos o que os outros tentam nos comunicar.

Convém à mídia utilizar vocabulário acessível ao maior número de pessoas, abrangendo um público de vocabulário passivo modesto ou variado, magro ou copioso. Ninguém precisa assistir ao telejornal com o dicionário na mão. Seria estranho necessitar de glossários para entender uma reportagem ou acompanhar determinada entrevista.

Contudo, em dado momento, podem invadir o espaço lingüístico da mídia alguns termos novos inevitáveis, como aconteceu nas últimas semanas, desde a tragédia do Airbus da TAM. As novas palavras que surgem no vocabulário ativo dos âncoras, apresentadores, jornalistas e articulistas são rapidamente incorporadas ao vocabulário passivo de leitores, ouvintes e telespectadores.

"Manete", dispositivo que acelera o motor de avião, é uma dessas palavras. Até então restrita ao jargão da engenharia mecânica, vai se tornando familiar ao simples cidadão. O fato de ainda causar alguma estranheza entre os não-iniciados explica indecisões quanto ao seu gênero. Há os que dizem e escrevem "a manete" (José Meirelles Passos, O Globo, em 26 de julho). O certo é "o manete".

Outra palavra estreante: grooving, as ranhuras transversais na pista para aumentar o atrito. Por ser palavra estrangeira, é compreensível ler em blogs a forma groving, com um "o" apenas. Mas, e daí? – pergunta-nos o internauta. – Você não entendeu do que se trata? Então relaxe... e prepare-se para outras variantes: groowing, groovin, gruving...

Escreve-se e fala-se também no "reverso" da aeronave. Nem o Aurélio nem o Houaiss ajudam. Nesses dicionários, encontramos o reverso da medalha, o reverso de um painel, o reverso do problema. Nada que se refira à aviação. E, afinal, não seria mais correto o "reversor"? Termo que também não consta dos grandes dicionários. Não é a primeira vez que o reversor ganha notoriedade. A falha desse mecanismo foi a causa do acidente do Fokker 100 da TAM, em 1996.

Importa assimilar essas palavras, para sairmos da perplexidade passiva e cobrarmos explicações convincentes.


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6.8.07

Peraltices com Pinóquio

Saiu a Revista Língua Portuguesa de agosto, número 22.



Com um artigo meu, sobre as traduções brasileiras do Pinóquio. O texto está integralmente aqui, para assinantes da UOL e da revista, e parcialmente aqui:

Uma das obras mais populares da literatura universal, As Aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi (pseudônimo do jornalista Carlo Lorenzini), surgiu primeiramente na forma de capítulos, no Il giornale per i bambini, periódico dedicado a crianças, entre julho de 1881 e janeiro de 1883, sob o título Storia di un burattino ("História de uma marionete"). No próprio ano de 1883, Collodi publicou os trinta e seis episódios em livro, com ilustrações de Enrico Mazzanti, até hoje reproduzidas em novas edições.

Passaram-se mais de cem anos. A história ultrapassou os limites da Itália. Foi traduzida em praticamente todos os idiomas (até para o latim) e recontada em inúmeras adaptações. A mais famosa é a versão cinematográfica de Walt Disney (1940), na qual vários elementos foram reinterpretados, para não dizer... deturpados. O Pinóquio de Disney é ingênuo e bobinho, ao passo que o de Collodi é muitas vezes cruel; no filme, o Grilo-falante participa das peripécias do boneco de madeira e exerce o papel de narrador, mas no texto de Collodi é assassinado pelo próprio Pinóquio; o monstro marinho que engole Pinóquio e Gepeto na versão de Disney é uma baleia, substituindo o Tubarão (Pesce-cane) da história original.



O êxito do livro em outras línguas teve início no Reino Unido, em 1891, um ano após a morte de Collodi. Em 1902, surgiu a tradução francesa. Em 1904, os norte-americanos fizeram sua própria versão em inglês. Em 1905, Pinóquio começou a "falar" em alemão. E a partir de 1911, as aventuras do boneco de madeira surgiram em diversos países da Ásia, da África e da Oceania.

As traduções e adaptações de Pinóquio elaboradas em Portugal no começo do século 20 eram lidas no Brasil, mas em breve (em 1933), uma vez mais pelas mãos do pioneiro Monteiro Lobato, tivemos uma tradução nossa. Em 1929, Lobato já criara a história "O irmão de Pinóquio", inserida em Reinações de Narizinho. O irmão brasileiro do boneco italiano, feio mas com alma heróica, é o João Faz-de-conta.

Seguiram-se os trabalhos de Guimarães de Almeida (1946), de Raul de Polillo (1947) e do Padre Leopoldo Brentano, que aportuguesou o nome do protagonista para Zé Pinho, numa edição publicada em Porto Alegre, sem indicação de data. Carlos Heitor Cony também procurou inovar o título na adaptação que escreveu pela Ediouro em 1978: Pinóquio da Silva.

Hoje, no mundo inteiro, todos se sentem "donos" de Pinóquio. Além das diversas adaptações para o teatro, TV e cinema (houve até um filme norte-americano intitulado As aventuras eróticas de Pinóquio, na década de 1970), multiplicaram-se também as versões e simplificações literárias. Sem falar no uso da imagem do Pinóquio em charges políticas, na expressão psicanalítica "síndrome de Pinóquio" para designar a pseudolalia (compulsão para mentir) e, o que parece inacreditável, em instituições de ensino que se sentem identificadas com o personagem, como a "Escola Pinóquio" que há no Maranhão e outra, de mesmo nome, em Minas Gerais.

Entre as edições brasileiras mais recentes de As aventuras de Pinóquio, destaca-se a tradução de Marina Colasanti (Companhia das Letrinhas, 2002). Também em 2002, a Editora Iluminuras publicou bela edição, com tradução e ilustrações de Gabriella Rinaldi. Com o selo da L&PM, veio à luz em 2005 o trabalho de Carolina Cimenti. E, em 2006, a tradução assinada por Eugênio Amado, pela Villa Rica Editora. Cotejar essas versões é entrever o eterno conflito entre a fidelidade criativa e o risco da traição que há em todo trabalho de tradução.

Certamente, um ou outro tradutor, mesmo entre os melhores, já sentiu seu nariz crescer alguns centímetros, mas nunca se trata de mentira pura e simples. Traduzir não se opõe a interpretar. A literalidade, afinal de contas, é desejo que nenhuma Fada saberá atender.

O boneco segundo o traço de Enrico Mazzantti (1852-1910)


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5.8.07

Uma antiutopia próxima demais

Programa de final de semana nublado: assistir ao filme Filhos da esperança (2006), dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón. A história se passa numa época não muito distante de nós, 2027. Nesse futuro imaginado, a humanidade não pode mais gerar crianças. Há conflitos, peste, medo. A ciência está de mãos atadas. Fanáticos religiosos e terroristas nascem desse caldo de desespero.

Mas o milagre acontece. Contra todas as expectativas, uma mulher fica grávida. A aventura de Theodore Faron (não à toa seu nome remete a Deus) consiste em salvar esse milagre vivo. A alusão ao nascimento do Menino Jesus é evidente, falta de lugar adequado, clima de fim de mundo.

Michael Caine, no papel do mentor de Theo, está maravilhoso. Os efeitos estão muito bons, e garantem a verossimilhança. A miséria em contraste com a alta tecnologia. O "kit suicídio" está ao alcance dos cidadãos.

O barco que, no final, vem resgatar a mulher e o bebê chama-se, sem a menor sutileza, “Tomorrow”. Apesar da obviedade, agradeço que, pelo menos dessa vez, não foi a bandeira dos Estados Unidos que apareceu...

(Clive Owen, como Theo. Trabalhou também em Sin City)


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4.8.07

Círculo de Leitura

Círculo de Leitura acontece sempre no primeiro sábado de cada mês e nestes encontros mensais os participantes têm a oportunidade de comentar, sugerir e trocar idéias sobre as mais diversas obras literárias, com a liberdade de escolher o livro de sua preferência.

Coordenado pela professora Mônica Éboli de Nigris – mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e doutora no Departamento de Lingüística e Semiótica da USP (também coordenadora e idealizadora da Oficina Lendo Melhor), o Círculo pode ser freqüentado por todos que tenham interesse, curiosidade e vontade de ler.

“No Círculo as pessoas ficam livres para escolher seus próprios temas e para falar o que acham do livro. Isso não acontece freqüentemente nas escolas, pois muitas vezes os próprios professores não têm o prazer pela leitura e não buscam desenvolvê-lo entre seus alunos, que vêm desmotivados, irritados com a leitura obrigatória. E isso se tornou um problema muito comum no ensino médio e que precisaria ser mudado”, observa Mônica.

Outro aspecto citado por Mônica, com relação aos participantes destes encontros, é que a maioria deles queriam discutir sobre o que leram, mas nem sempre tinham ao seu redor pessoas com os mesmos interesses, por isso o Círculo também funciona como um fórum de debates para falar sobre literatura.

O Círculo de Leitura é freqüentado por pessoas comuns, que encontraram um local adequado e um ambiente informal para conversar sobre o que mais gostam: Literatura. Alguns participantes assíduos, como a Albanita de Paiva, deram seu depoimento sobre este encontro. “Comecei a freqüentar o Círculo por curiosidade, nunca havia participado de uma atividade assim. A troca de informações, o contato com as experiências de leitura dos outros leitores é uma relação muito positiva. Acho esta iniciativa da Livraria Cortez excelente, pois ceder o espaço para esta finalidade é uma atitude muito válida”.

Inscrição: Grátis
Nº de Vagas: Limitadas

Data próximo Círculo de leitura: 04/08/07
Horário: A partir das 14:30 h (Piso Monte Alegre)

O tema deste círculo está INDEFINIDO.
Os participantes deste encontro participarão de sorteio de livros.

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3.8.07

Editora Segmento



Está aí a sugestão, para quem conhece a publicação. E quem não a conhece, pode acreditar, trata-se de um excelente trabalho, se me permitem a falta de modéstia, pois colaboro há um bom tempo com a Revista Língua Portuguesa e outras publicações da Editora Segmento.

Este é o trecho de uma das minhas últimas colaborações:
... que pode ser lida integralmente aqui.


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2.8.07

Pensamento em dia

Mais do que impor limites, educar é mostrar horizontes. Desencadear... abrir os cadeados dos nossos talentos ocultos.


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1.8.07

1º de agosto

Dizem que agosto é o mês do desgosto. No entanto, desgostos e gostos temos todos os dias. Essa é a verdade, repetida e garantida pela tradição do senso comum e do bom senso. A sabedoria popular, nem sempre sábia, nem sempre popular, guarda essa idéia: não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe...


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