QUEM ENSINA SEMPRE APRENDE |
31.10.07Revista EducaçãoFolheando o último número da Revista Educação. Recomendo. O editor Rubem Barros faz um excelente trabalho com o tema inesgotável, a palavra-chave das chaves: educação. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 30.10.07Oficina hojeTem início hoje uma série de quatro encontros na Editora Segmento, uma Oficina de produção de texto literário. A arte de escrever. A arte de expressar-se na palavra. "Oficina" é uma palavra curiosa. Officium, contração de opus + facio. É o lugar onde se faz a obra (opus). A obra de uma vida a se fazer. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 29.10.07Estante virtualMilhares de livros a preços acessíveis. Um bom slogan para começar a semana: 116.828 livros até R$ 5 » clique aqui 642.011 livros até R$ 12 » clique aqui 1.130.868 livros até R$ 20 » clique aqui 1.349.043 livros até R$ 30 » clique aqui Publicado por GABRIEL PERISSÉ 27.10.07Pedagogia estéticaÉ aquela que trabalha artisticamente, transfigurando a realidade. O professor-ator atua como dramatizador do conhecimento. A estética como busca da patentização do latente. Como desacostumamento. Como caminho de admiração, espanto e humor. A respeito disso conversamos hoje, eu e Profª Cleide de Almeida, no IV Encontro de Escolas e Educadores: Caminhos da filosofia na sala de aula, na Uninove. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 26.10.07Pensamento em diaProfissão de criança é conviver, brincar e aprender. De adulto também. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 25.10.07FacesO Google tem uma opção "faces", caso você queira encontrar seu rosto na web. Um recurso interessante. Submeto-me como cobaia (arrisco-me à crítica de narcisismo) e encontro fotos dispersas. Da exposição não estaremos livres, gostando ou não. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 24.10.07Palestra ou aula?Recebi de alguém um texto publicado em algum lugar. Gostei e aqui transcrevo. A autora chama-se Marinilse Netto Carminatti: "Professora, a sua aula é uma palestra!" Noite dessas, no término de uma aula sobre patrimônio cultural, no corredor, ouvi de uma aluna do curso de turismo o seguinte: "Professora, a sua aula é uma palestra!" Recebi a fala da aluna com surpresa e imediatamente agradeci. Minutos depois, veio a dúvida: aquilo era um elogio ou uma reclamação? Qual era o sentimento que motivara aquela fala? Ainda cheia de dúvidas quanto à exclamação da aluna, me propus a buscar os diferentes conceitos que giram em torno da palavra palestra, refletindo também minhas estratégias de atuação educacional. Do Latim palaestra e do grego palaístra, o dicionário Aurélio traz o conceito de palestra como conversação, conferência ou discussão sobre um assunto cultural. Para os povos gregos e romanos o conceito original era o de lugar onde se fazem exercícios ginásticos. Temos aí duas questões a serem explicitadas: Na primeira delas a idéia de conferência ou discussão nos possibilita pensar na prática da conversação entre pessoas a fim de confabular interesses comuns. Tradicionalmente, o ato de educar é visto como o exercício de adentrar ao mundo do saber (e do conhecimento) pelo acesso à instituição escolar, tal pensamento descarta a possibilidade de se pensar em troca de saberes fora do ambiente escolar, no convívio, onde as experiências são vividas, sentidas. A manutenção dessa concepção coloca a escola como principal centro responsável pela vida e pelo futuro dos jovens. Crescem as responsabilidades para os gestores educacionais na criação de espaços acadêmicos 'em sintonia' com os novos tempos, que tem na velocidade das idéias, na diversidade de imagens, criações emergentes e seus significados, as interpretações desse mundo. Se para o educador desse tempo, crescem os desafios para transformar o espaço de aprendência num lugar atrativo e instigador como o "mundo lá fora", para o aluno a universidade significa ainda um percurso de atualização e formação, ainda em que pesem as controvérsias e dificuldades em desempenhar esse papel. Penso que o educador deve ser autônomo nos espaços de ensinagem e que autonomia significa apreender o conteúdo ou temática explorada junto aos alunos numa comunhão de saberes e competências, onde o campo científico encontra meios de adentrar no campo vivido, numa troca de experiências sentidas, que podem ser traduzidas em conhecimento. Diante disso, surgem os seguintes questionamentos: Qual é o percentual de informações processadas nas atividades docentes que se transformam em conhecimento para os alunos? Qual é o teor de significância desses conhecimentos? Ou seja, estão relacionados à alguma coisa existente no "mundo real"? A noção de palestra como atividade física traz a conotação de dinamismo na atuação. Este dinamismo pode ser definido pela interação promovida atualmente nesses exercícios em que a platéia é chamada à participação. Atividades de interação e envolvimento são propostas como força de "agarrar" o espectador e transformá-lo num partícipe, tirando deste contexto a separação em níveis de ensino onde o professor repassa um conteúdo, um saber esperando que o aluno como espectador o receba. A máxima hoje na área do marketing é a de que "bons palestrantes falam com o coração", talvez esteja aí o segredo. Falar com sentimento é sempre um ato de provocação ao outro, independentemente do assunto em pauta, ministrar aulas com autonomia, competência e emoção podem significar meios efetivos de interação com os alunos, formas de sentir o apreender, transformando as informações em conhecimento e as aulas em experiências vividas. Marinilse Netto Carminatti, Mestre em Educação. Docente da Celer Faculdades - XAXIM (SC). Publicado por GABRIEL PERISSÉ 23.10.07Exorcismo ou educação?Neste momento, num computador do aeroporto de Campo Grande, postando artigo que acabou de sair no Observatório da Imprensa: Telefone celular: exorcismo ou educação? Começou no Brasil uma "caça às bruxas" contra o telefone celular dentro das salas de aula, a exemplo do que está acontecendo em outros países, como Itália e Argentina. No Rio de Janeiro, a vereadora pastora Márcia Teixeira (PR) capitaneia projeto de lei que proibirá o uso do celular, do iPod e de tocadores de MP3 nas escolas e faculdades do município. Aguarda-se apenas a aprovação formal do prefeito Cesar Maia (DEM). Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB) já sancionou o exorcismo. O autor do projeto, deputado estadual Orlando Morando (PSDB), acredita que, agora amparados pela lei, os professores farão o que até então não podiam – tomar o aparelho do aluno e devolver-lhe apenas no final da aula. Mas... e se o aluno resistir? Receberá voz de prisão? Alega-se que o objetivo é devolver a tranqüilidade à sala de aula e manter a atenção do aluno no professor, como se paradisíacas tranqüilidade e atenção tivessem existido antes do telefone celular! Afirma-se que o celular é usado para "colar"... como se este terrível crime fosse pecado recente! Falta à pastora e ao deputado um pouco mais de contato com a realidade escolar... E lhes falta, sobretudo, compreender as transformações culturais dos últimos dez anos. Estamos na Idade Mídia. Jovens e crianças que cresceram junto com as novas tecnologias encaram o celular como extensão de si mesmos. Mais do que objeto, ele é "lugar" de encontro com os amigos e o entorno. Com o celular conversam, fotografam, filmam, escutam música, consultam as horas... O celular-ícone. Graças a ele, os adolescentes criam um novo espaço social. De nada adiantará ao sistema educativo restringi-lo ou proibi-lo. Essas leis querem exorcizar o demônio errado. Seria mais proveitoso, por exemplo, que os ilustres políticos apresentassem projetos que providenciassem com urgência a inclusão digital, particularmente a dos professores! E caberia aos professores, mais do que se tornarem vigilantes da ordem e do silêncio, perseguindo os delinqüentes do celular, compreenderem a encruzilhada em que a escola se encontra. A tarefa pedagógica consistiria em transformar o celular em instrumento e ocasião de aprendizado. Que aulas fascinantes teríamos, se os professores, cientes dos novos formatos culturais, e do mercado que modela nossos hábitos de consumo, ajudassem os alunos a compreenderem com espírito crítico a influência do telefone celular em nossa maneira de pensar e viver. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 22.10.07Estímulo ou motivação?Podemos chamar de estímulo ou motivação, o fato é que o MEC está disposto a fazer alguma coisa. Conforme a notícia que saiu hoje, no jornal carioca O Dia: MEC pagará R$ 350 para incentivar licenciaturas Maria Luisa Barros e Daniela Dariano Depois do bolsa-escola, o "bolsa-professor". Para manter mestres na sala de aula - universitários de licenciatura e instrutores da Educação Básica na rede pública -, o Ministério da Educação (MEC) dará 20 mil bolsas de incentivo à docência a partir de março: 10 mil para projetos desenvolvidos de fevereiro a dezembro e 10 mil para agosto a dezembro. O benefício será de R$ 350 mensais para cada universitário que tiver projeto selecionado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O Programa de Bolsa Institucional de Iniciação à Docência (Pibid), antecipado por O Dia em agosto, terá R$ 75 milhões em 2008 para combater a evasão de profissionais do magistério. Pesquisa do MEC divulgada há uma semana mostrou que 71,2% dos professores formados não atuam na Educação Básica da rede pública. Rio está no páreo Os universitários do Rio estão no páreo das seleções anuais para as bolsas. Isso porque as redes estadual e municipal do Rio têm índices de desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) abaixo da média nacional (3,8) e esse é o primeiro critério para a escolha. O Ensino Médio nas escolas estaduais do Rio tem nota média de 2,8; o Fundamental da 5ª à 8ª tirou 2,9 nas estaduais e 3,7 nas municipais. O Pibid atenderá inicialmente alunos de licenciatura em Física, Química, Biologia, Matemática, Letras, Pedagogia e Educação Artística das federais, mas deverá ser ampliado. A portaria será publicada até o fim do mês e o edital de seleção, em seguida. As regras para escolha de projetos incluem inovação e capacidade de superar problemas de aprendizagem dos alunos de uma ou mais escolas. Os bolsistas atuarão em laboratórios ou oficinas extraclasse enquanto cursam a faculdade. O objetivo é antecipar o vínculo entre os futuros mestres e as salas de aula da rede pública, já que o estágio obrigatório só começa no penúltimo período. Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, o programa criará compromisso com o magistério após o fim do curso. Hoje, professor graduado não é sinônimo de mestre na rede pública. A maioria dos alunos da licenciatura tem planos distantes dessa realidade. Os que querem ensinar, sonham fazê-lo na universidade. "Desmotiva muito, não só o salário, mas a dificuldade de lidar com os alunos. Diminuiu muito a autoridade do professor, principalmente em áreas de risco. Dá insegurança", admite o estudante do 2º período de Matemática na Uerj Karlos do Amaral, 20 anos. Ele vê a bolsa como um incentivo. O exemplo do pai, professor de Ciências em Ciep de Magé, orgulha e assusta: "Vejo sua luta: os alunos não querem estudar, tem muito repetente e gente com dificuldades em Português, Matemática. Meu pai tenta orientar em outras áreas também". Ao antecipar o contato com a rede pública, o Pibid teria dois possíveis efeitos, acredita a estudante de Geografia da Uerj Rejany Ferreira dos Santos, 28 anos: "Diante de todas as dificuldades, os bolsistas podem se apaixonar ou desistir de vez". Evasão ainda na faculdade Livros e fotocópias caros, passagens diárias e falta de tempo para trabalhar são barreiras que fazem com que as turmas de licenciatura nas universidades se reduzam período a período até a diplomação. É aí que o Pibid deverá fazer diferença. Estudante de Geografia da Uerj, Rejany Ferreira dos Santos faz o último período do curso, mas só se formará no ano que vem, pois deixou de estudar matérias do início da faculdade, quando trabalhava como secretária numa gráfica para se sustentar. "A bolsa será importante para manter o aluno na faculdade. Minha turma começou com 45 e agora somos 30", conta Rejany, que não teve Matemática na 6ª série do Ensino Fundamental por falta de professor e é exceção entre os colegas: deseja ser mestre da rede pública. "A maioria dos meus amigos não quer. Quando se fala em curso da Polícia Federal, o olho de uma colega minha brilha. Há desânimo com relação à docência", conta. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 21.10.07No YoutubeAcabei de postar no Youtube trechos de uma palestra que ministrei na Universidade da Caixa Econômica (agosto de 2007) sobre a "A arte de escrever". Publicado por GABRIEL PERISSÉ 19.10.07Correio BrazilienseOs amigos da Autêntica Editora me enviam a notícia de que saiu artigo meu no Correio Braziliense de hoje: Publicado por GABRIEL PERISSÉ 18.10.07CoincidênciaNunca estive em Mato Grosso do Sul antes. Conheci um pouco de Campo Grande e de Dourados nesses últimos dois dias. E a coincidência é que na semana que vem estarei lá outra vez, para um evento promovido pelo PROLER de Campo Grande. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 17.10.07DouradosUm dia de intenso trabalho, conversando com os professores de Dourados (MS). Cidade educadora, uma prefeitura bastante empenhada, gente atenta. Conheci professores indígenas. Conheci professores e professoras dedicadas. Experiência inesquecível. Em Dourados existe o Banco Pirê, um banco comunitário vinculado aos princípios da economia solidária. E trouxe de lá uma nota da moeda local. Uma nota de 1 Pirapirê. A palavra, em guarani, significa "escama de peixe". Publicado por GABRIEL PERISSÉ 16.10.07Uma entrevista pecaminosaSaiu uma entrevista minha sobre os sete pecados capitais e as virtudes da educação, na Folha Dirigida. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 15.10.07Dia do professor! Dia da professora!Publicado por GABRIEL PERISSÉ 14.10.07Diretamente do YoutubeCantor à vista: Guarani. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 13.10.07Alô?! Alô!?A Folha de S.Paulo publica hoje a notícia de que será proibido o uso do telefone celular dentro das escolas. Vã proibição... Quanto mais proibição, mais desobediência. Os governantes não sabem educar. E os educadores não souberam aproveitar a oportunidade de "pedagogizar" o celular, incluí-lo como instrumento de aprendizado. A matéria, sob a responsabilidade de Fábio Takahashi, transcrevo abaixo: "O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sancionou projeto de lei que proíbe os estudantes de usar telefone celular nas escolas nos horários de aula. A medida foi publicada ontem no Diário Oficial. "A princípio, vale apenas para a rede estadual do ensino básico (fundamental e médio), mas, como a redação do texto é vaga ('estabelecimentos de ensino do Estado'), a Secretaria da Educação diz que é possível considerar que abrange também a particular. A dúvida será esclarecida apenas com a regulamentação da lei, prevista para ser publicada pelo governo em até 90 dias. A lei não estabelece também como será a fiscalização da medida nem a que tipo de punição o estudante está sujeito. "De acordo com a Secretaria da Educação, a tendência é que o decreto regulamentador deixe para que cada escola defina como implementar a lei, estipulando, por exemplo, a sanção a ser aplicada. O deputado estadual Orlando Morando (PSDB), autor da proposta, afirmou que os aparelhos podem ser retidos pelos professores e devolvidos apenas ao final das aulas. A punição, no entanto, não está prevista no texto da lei sancionada. "'Na regulamentação, pode-se também incluir um artigo permitindo que os aparelhos retidos sejam devolvidos apenas para os pais dos alunos', disse o deputado. "Morando afirma na justificativa do projeto que a proposta visa 'assegurar a essência do ambiente escolar, onde a atenção do aluno deve estar 100% direcionada aos estudos'. Segundo o deputado, ele se baseou em relatos de professores, que afirmam que os alunos atendem ao telefone durante as aulas e trocam 'torpedos' com colegas de outras salas, além de brincarem com os jogos presentes nos aparelhos. 'Há relato de estudante que usa o celular para colar nas provas, através de mensagens de texto e também armazenando a matéria no próprio aparelho', afirma o texto disponível para consulta no site da Assembléia. "Morando diz também que há alunos que utilizam o celular como forma de exibicionismo, mudando sempre de modelo. 'Claro que o celular atrapalha, mas será difícil a escola conseguir controlar todos os alunos', afirmou a professora Silvia de Mattos Gasparian Colello, coordenadora da área de psicologia da educação da Faculdade de Educação da USP. Para o presidente do sindicato das escolas particulares, José Augusto de Mattos Lourenço, mesmo que a lei se aplique à rede privada, haverá poucas mudanças na rotina escolar. "'Os regimentos das escolas já proíbem materiais não condizentes com a prática pedagógica. Isso vale não só para celulares mas também para aparelhos como iPod', disse Lourenço. Segundo ele, os regimentos dos colégios seguem diretrizes das diretorias de ensino." Publicado por GABRIEL PERISSÉ 12.10.07Onde moram o poeta e o professor?Ontem, em Guaxupé (MG), mostraram-me um texto meu ilustrado por crianças. O objetivo tinha sido trabalhar a idéia de espaço, e o meu quase-poema serviu como inspiração. Abaixo, uma das pequenas obras de arte. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 10.10.07GuaxupéDentro de algumas horas estarei em Guaxupé (MG). Amanhã é dia de comemorar o mês dos professores com os professores dessa cidade! A idéia é conversarmos sobre a arte de ensinar. Ensinar é uma arte? Que tipo de arte? Publicado por GABRIEL PERISSÉ 9.10.07Haddad na ANPEDO ministro da Educação, Fernando Haddad, esteve na abertura da ANPED — Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação — no domingo, dia 7, em Caxambu (MG). Sentiu-se em casa, porque não é só político, também fez doutorado, também é professor universitário (e na USP). Esboçou-se uma vaia, mas ela se esvaiu. Parece-me que nunca, antes, um ministro prestigiou a ANPED desse modo, conversando solene, mas abertamente. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 7.10.07Pesquisas em MinasPergunto ao taxista, ao professor, ao garçom, se Aécio Neves será presidente. Pesquisa informal não faz mal. O mineiro vota em Aécio. E acredita que Lula o apoiará. Não votará em Serra. Muito menos em Alckmin. Pergunto ao taxista, ao professor, ao garçom, ao estudante, ao doutor, ao policial, se é bom viver em Minas ou se preferiria outro lugar. O mineiro gosta de Minas. Pergunto ao taxista, ao professor, ao garçom, ao estudante, ao doutor, ao policial, ao padre, ao gerente de banco, o que significa "uai". "Uai" é uai, uai! Uai!? Why!? Pergunta/exclamação, afirmação/meditação, minerando os minérios da mente mineira... Publicado por GABRIEL PERISSÉ 6.10.07Idas e vindasHoje de manhã, no Rio de Janeiro, conversando com professores sobre a sala de aula do século XXI, sobre o professor do futuro, sobre o aluno plugado, sobre a escola e para que "serve". E agora à tarde em Belo Horizonte, porque amanhã vou participar da Educativa Brasil, promovido pela Conexa Eventos. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 5.10.07Pensamento em diaOs cientistas afirmam que um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Não duvido. Só hoje (são 9 da manhã) eu já tive 22.579 pensamentos! Publicado por GABRIEL PERISSÉ 4.10.07Readmitindo o gerúndioPasquale Cipro Neto, hoje, na Folha de S. Paulo, demite a "demissão" do gerúndio, grita "Viva o gerúndio!", e se revolta contra o decreto do governador do DF: "ALÔ, É DO GOVERNO do Distrito Federal? -É. -O governador está? - Não; ele está a viajar. -Está "a viajar'? Mas não é de Brasília? Ou será que me enganei e telefonei para Lisboa?" Pois é, caro leitor. Se os servidores do governo do Distrito Federal levarem a ferro e fogo a "ordem" do governador José Roberto Arruda (DEM), esse diálogo talvez se torne real. Explico: segunda-feira, o governador do DF "demitiu" o gerúndio. Lá vai a íntegra do texto oficial: "Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007. Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências. O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: Art. 1º - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal. Art. 2º - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3º - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília JOSÉ ROBERTO ARRUDA" Fora eu o "Gerúndio" (o caro leitor notou que, no decreto, o dito-cujo virou substantivo próprio?), entraria com uma ação na Justiça do Trabalho. "Que história é essa de me demitir?", perguntaria o Gerúndio aos advogados do governo do DF. A assessoria do governador explica que, quando ele cobrava a conclusão de projetos, recebia respostas como "Vou estar terminando", "Vou estar lhe informando", "Vou estar concluindo". De fato, frases como essas transmitem a sensação de que nada acontecerá. Isso é herança maldita do ultramegachato uso de bobagens como "Ele tem que estar enviando um fax", "Vou estar transferindo a ligação", "Você tem que estar pegando uma senha", "Não pude estar comparecendo" etc. Nessas insuportabilíssimas frases, emprega-se a estrutura "estar + gerúndio" para indicar processos que não são durativos ("Estava tomando banho"; "Nessa hora vou estar almoçando com ela") nem simultâneos ("Quando você estiver falando com ele, estarei terminando o relatório"). Pois o nó da questão é justamente o mau uso do gerúndio, ou melhor, da estrutura "estar + gerúndio" (que recebeu o nome de "gerundismo"). O governador tem pleno direito de enfurecer-se com seus assessores enrolões, mas nenhum direito de tentar legislar sobre o uso da língua, sobretudo quando essa tentativa esbarra em impropriedades técnicas. Viva o gerúndio! Abaixo o decreto do governador do DF! Abaixo o mau uso de "estar + gerúndio"! E, sobretudo, abaixo todos os enrolões (da administração pública, do Senado, da Câmara Federal, das empresas de telefonia fixa, móvel etc., etc., etc.)! Em tempo: um funcionário do Congreço, digo, Congresso Nacional encomendou por conta própria um carimbo com os dizeres "Congreço Nacional". Milhares de documentos receberam o tal carimbo. Pensando bem, não terá sido um ato falho? Com o Congresso exibindo níveis indigentes de comportamento, nada de "ss". Seu Creysson neles! É isso. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 3.10.07Leituras subterrâneasDentro do metrô, em filas de banco, no subterrâneo das horas, estou lendo Meninas inseparáveis, de Lori Lansens (Editora Globo, 2007).
Uma autobiografia inventada. Rose e Ruby são irmãs siamesas. Estão unidas pelo crânio. Mas não pensam do mesmo modo. Nem sentem da mesma forma. São duas pessoas inseparáveis e... inconfundíveis. O título original é simplesmente The girls, contudo, traduzir por As meninas, além de ter menos força (inclusive comercial), entraria em conflito com As meninas, de 1973, o primeiro grande romance de Lygia Fagundes Telles. O livro de Lori Lansens deve ter exigido muitas pesquisas. A riqueza de detalhes quase me faz esquecer que a história é inventada. Mas tudo o que um escritor inventa é verdade. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 2.10.07Demitindo o gerúndioOntem, no Diário Oficial do Governo do Distrito Federal, publicou-se decreto assinado pelo governador José Roberto Arruda, demitindo o gerúndio. Vamos estar lendo esse decreto, para estar entendendo a sua provocação: DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007. Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências. O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: Art. 1° - Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal. Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA. Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 28 de setembro de 2007. 119º da República e 48º de Brasília JOSÉ ROBERTO ARRUDA Publicado por GABRIEL PERISSÉ 1.10.07O elogio da insensatezEscrever no jornal, dizia Manuel Bandeira, é como escrever na areia, lembrando-se talvez dos poemas que padre Anchieta produzia. As ondas do tempo vêm e arrastam para o esquecimento aquilo que foi publicado e distribuído. Há os arquivos institucionais e os pessoais, mas limitados, ou de difícil acesso. Escrever em blogs, sites e assemelhados é como escrever no ar – os ventos virtuais levam nossas palavras para longe, pelas infovias elas voam, viajam, vicejam em outras telas. Contudo, não são eternas, podem desaparecer do dia para a noite. E por isso, a necessidade do livro, do velho livro de papel, que multiplica de modo palpável frases e idéias. Por saber que o jornal e a web são frágeis suportes, Cristovam Buarque resolveu publicar textos seus mais recentes no livro Sou insensato (Editora Garamond, 2007), em que faz um elogio da utopia, da obsessão, da revolução educacional. É um livro crítico, um livro de oposição ao governo Lula. Um livro de ex-ministro, cuja demissão por telefone ainda não foi devidamente digerida. Nem é bom que o seja. Lula entendeu que não tinha ali um ministro da Educação, mas um opositor, um adversário. No lugar de um ministro, havia um subversivo. Insensatez de Lula teria sido não cortar o "mal" pela raiz... Uma das forças de Cristovam Buarque é a sua capacidade didática. Ele sabe criar aquilo que os franceses chamam repères, referências verbais, frases redondas, definitivas, com as quais o leitor conta para refletir mais tarde. Quando Cristovam fala em cortinas de ouro, de petróleo, de lenha e de chips, estabelece pontos de apoio e de visualização para que pensemos as diferenças sociais, culturais, tecnológicas, políticas e econômicas que discriminam, impossibilitando a milhões de pessoas viverem como pessoas. De insensato, o livro tem muito pouco. Os artigos se encadeiam com uma lógica só encontrada nos loucos (Chesterton dizia que os loucos perderam tudo, exceto a razão!). A insensatez consiste em se esforçar para ser lúcido. Cristovam Buarque critica os intelectuais e escritores brasileiros que, baseados em razões sem razão, optaram pelo silêncio, perderam o tom crítico, divorciaram-se do utópico e do revolucionário. A insensatez está em pensar por conta própria. Em continuar defendendo causas perdidas. Em escrever na areia, no ar, no papel e, sobretudo, na mente escravizada pela aparente sensatez. Publicado por GABRIEL PERISSÉ |