QUEM ENSINA SEMPRE APRENDE |
18.8.08Travesseiro de viagemÉ vendo que eu aprendo. Ao longo dos últimos meses, em ônibus e aviões, observei pessoas com um confortável (pelos rostos felizes deduzi que era confortável...) travesseiro de viagem. O pescoço devidamente aconchegado. Poderia apenas sentir inveja e de inveja morrer. Mas inveja (latim: in + videre) é não ver. Admirar é outra coisa. Mirar... apreciar. Mirando, aprendi que poderia possuir também um travel pillow. ![]() Publicado por GABRIEL PERISSÉ 17.8.08Rio de JaneiroPrestes a voltar do Rio de Janeiro. O aeroporto Santos Dumont atipicamente vazio quando cheguei. Sem filas. Depois do almoço o panorama mudará. Mas a essa altura já estarei em São Paulo. Atualizar o blog é preciso. Mesmo que seja para não dizer nada de muito relevante... Publicado por GABRIEL PERISSÉ 15.8.08Como é bom saber um pouco de gramáticaRecebi por e-mail a seguinte mensagem: "Sr(a), a equipe Card Express informa que foi feito compras em seu nome". Deletei na hora. Se essa tal equipe não sabe que compras foram feitas em meu nome, posso dormir tranqüilo... Publicado por GABRIEL PERISSÉ 13.8.08Seminário em MaringáConfirmando e divulgando Seminário que ocorrerá em Maringá, no final do mês. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 12.8.08MEC na mídiaToda terça-feira, o Observatório da Imprensa renova seus artigos. Na edição desta semana, um artigo meu. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 10.8.08Livro novoDia dos Pais também é dia de escritor que concebe e dá à luz os seus livros. Já está nascendo um novo, Introdução à filosofia da educação, pela Autêntica Editora. É a cara do pai...
Publicado por GABRIEL PERISSÉ 9.8.08Novo número da Revista EducaçãoJá nas bancas o número de agosto. Com um artigo meu, na linha das "Leituras educadoras". Converso com Guimarães Rosa, aqui. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 8.8.08Ler, pensar e escreverOntem, com professores de S. Caetano do Sul (SP), conversando sobre a paixão da leitura, sobre a arte de pensar, sobre a aventura do escrever. O evento realizou-se graças ao empenho do pessoal do Projeto Dica. E, no final, ganhei uma caricatura. A autora enviou por um colega a pequena obra de arte, de modo que não pude agradecer pessoalmente. Agradeço por aqui! Publicado por GABRIEL PERISSÉ 4.8.08Tão longe e pertoVoltando de Macapá, tão longe e tão perto. Encontrei 60 professores, a maioria da rede pública. Conversamos sobre pesquisa, leitura, formação. Uma professora alfabetizadora contava que determinado aluno não conseguia pronunciar a palavra "sapato". Quase chegava lá, parava no "pa". E dias se passaram até que se descobriu com que o pai batia nele. E isso não é ir muito longe. Dentro de cada um linguagem e realidade se confundem. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 31.7.08ErrologiaGostaria de escrever sobre a errologia, esta ciência que aborda a fecundidade dos erros. Os "normalpatas" haverão de boicotá-la. O erro original origina novas atitudes. A errologia provoca a consciência. O equívoco é insuficiente para a melhora. O erro rói a roupa orgulhosa do rei que há na barriga de cada pequeno mortal. E o torna imortal, se houver disposição prática de errar menos. Pois errar é humano. E é preciso errar bem errado para que haja verdadeiro aprender. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 30.7.08Palestras e artigoChegando de Ilha Solteira e Ibitinga, onde conversei com professores sobre a arte de ensinar e a formação do professor. A leitura é fundamental nessa formação. Nem que seja ler um pouco... Publicado por GABRIEL PERISSÉ 27.7.08O que pode a cabeça humana?Matéria assinada pelo jornalista Urariano Mota, que mora em Recife: Ubirajara calcula. Na revista Carta Capital de 30 de julho. Mas já nas bancas. E no site: Quase ninguém acreditou. Um morador de rua, um mendigo, passar no concurso do Banco do Brasil? Mas Ubirajara Gomes da Silva existe, é de carne e osso, mais ossos que carne, ao menos até ser aprovado pelo BB. Com 1,74 metro de altura, chegou a pesar 50 quilos. Aos 27 anos, mulato, olhar zen, postura zen, Silva fala mansamente, às vezes é quase difícil entendê-lo. Tem o segundo grau, que conseguiu em exames do supletivo. Mas é diplomado em matéria de sofrer. Filho de uma garçonete com um ex-policial, que não o reconheceu como filho. Sobre essas coisas, digamos, menos materiais, ele não gosta de falar. Dói mais que a fome. — Essa prova que eu fiz agora foi até no Dia dos Pais, 12 de agosto, ele diz. — Você já chorou muito? — Já. Já chorei tanto, que eu não tenho mais lágrimas. — Por quê? — Falta de mãe, de família. De pai. (Longo silêncio.) Bira saiu de casa para morar com a avó. Passou a levar surras. Fugiu para as ruas, aos 15 anos. Quando tinha 17, soube que sua mãe falecera, soube apenas, mas não pôde ir ao velório. Nos 12 anos em que morou nas ruas, dos 15 aos 27, conta que certa vez ficou 30 dias sem comer. — Como é que alguém consegue? — Passando... Eu passei 30 dias sem comer, mas tomando água, comendo muito pouco, 30 dias sem me alimentar. Eu vivia dormindo, era muito sonolento, minha pressão caía, e o pessoal falava, “ele só quer dormir. É a vida que ele quer”. O pessoal me chamava de preguiçoso, de doido... — E você se acostumou a passar fome? — Me acostumei assim, não é? Não é que eu me acostumei. Me acostumei porque não tinha. Mas não me acostumei de achar aquilo uma coisa legal... me acostumei por causa de não ter mesmo, de não ter de onde ganhar. — Como é que você conseguia comer? — É interessante esse negócio de comida, porque eu pegava 1 real, todos os dias, ia lá no Mercado da Madalena e comprava uma fatia pequenininha de bolo-de-rolo e um copo de coca. Isso pela manhã. À tarde, normalmente eu não comia. — E como é que você conseguia estudar com fome? — Eu me alimentava muito de glicose, de coisas doces. Café muito doce. Não sei se você sabe, quando se come glicose, alguma coisa doce, ajuda a raciocinar. Em obediência ao senso comum, pergunto: — Você estudou pro concurso do Banco do Brasil como? — Três dias antes. — Mas o que você vinha estudando antes? — Português, matemática. Assim, eu fui com a bagagem que eu tinha. Eu não estudei muito não. — E como é que você estudava português e matemática? — Eu faço assim, ó. Eu até brinco. Eu não sou exemplo de estudo não. Porque eu sou um cara que eu pego assim: 10 regras de matemática, boto lá e fico estudando. Aí jogo 10 regras de português... uma coisa que não tem nada a ver. Quando eu estou achando uma coisa muito chata, ou está muito difícil, pulo pra outra coisa. — E onde você pega essas 10 regras de português? — Tem um programa, um site muito bom chamado “Só Português”, tem outro, “Só Matemática”. Tem os testes do PCI, concursos, que são muito bons. Ali tem testes, provas, aí eu saio fazendo. Então a gente sai de uma dificuldade e entra em outra. Programa, site, como assim? Como pode um sem-teto, um cara que não tem o que comer, acessar a internet? — Se eu pegasse 5 reais, eu me perguntava: o que eu vou fazer? Por exemplo, eu ia tomar café, que custa 1 real, e sobravam 4. Ia entrar na internet, que eu ia precisar, já virou mania. Quando não tinha dinheiro, ia em lugares gratuitos. Quando eu pagava internet, eu ficava sem almoço ou sem tirar uma carteira de estudante... Assim esclarecido, sabedor de que a vontade é a sua ferramenta, voltamos: — Seu amigo Carlos Eduardo chama a atenção para o fato de que entre 19 mil candidatos no Recife, apenas 171 não levaram ponto de corte em conhecimento bancário. Como é que você sabia conhecimento bancário sem ter apostila? — Eu gosto muito de ler sobre banco, a parte de economia dos jornais. Procurava saber algumas coisas, tipo commodities, taxa Selic, ouro... — Tudo a ver com a sua realidade... — Não, nada a ver. Obrigado pela ironia. Peço-lhe desculpa. Bira é zen, mas responde de pronto. Assim como se diz, no meio do povo, que “a dor ensina a parir”, ele pensa rápido e reage. Quando não tinha casa, ele se abrigava na porta de uma farmácia, de madrugada, encolhido em um batente de 1 metro de comprimento. E porque a dor é mestra eficiente, procurou conhecimento com os instrumentos que a sua necessidade criou. Ele não tem gramática — formal, em livro —, mas fala com boa sintaxe, léxico e prosódia. Não tem livro didático de matemática, mas não errou uma só questão de juros na prova. Ele, que era o próprio “não tem”, o que fez? Criou a sua didática, a sua gramática, a sua matemática, assim como um faminto acha o caminho do pão. — Eu deixei de estudar em escola em 1995, quando saí de casa. Em 2001 voltei para a sala de aula. Pra comer, sabemos. Voltou para a sala de aula para ter direito à merenda da noite. Mas na hora procuramos saber o método que usou para o concurso. — Matemática, como todo conhecimento, é uma construção. Como você pode pegar aqui e ali? No concurso do Banco do Brasil houve questões de juros compostos. — Ah, juros eu sei bem. — E como é que você fez isso sem livro? — Ah, é porque livro... eu lhe digo, eu sou autodidata e sou aquele cara que aprende fazendo. — Mas fazendo a partir de que exemplos, a partir de que didática? — Depende. Eu pergunto... Eu conheço um cara que está fazendo Engenharia. Ele se aborreceu comigo, porque ele estava tentando me ensinar um problema, e eu fiz os cálculos sem fazer cálculos. Mentalmente. Ele ficou com muita raiva. Quase quebra a cadeira na minha cabeça. Ele me disse: “Eu faço Engenharia esse tempo todinho, eu passo duas folhas para dar um resultado zero. Você pega e faz de cabeça?” Natural. Quem não tem, faz da própria cabeça um algoritmo e um caderno. O improvisado professor disso não sabia. E até conhecer Bira, eu também não. Estamos todos envenenados pelos métodos formais, e julgamos que a mente se pauta pela ordem do á-bê-cê. Ele, que é tido como exceção, é apenas um ser como qualquer um de nós, quando não se curva. — Quem é você? — Sou um cara teimoso, persistente... na medida do possível, sagaz, eu acho. A gente tenta, tenta, tenta, tem objetivo. — Se você tivesse de enviar uma palavra para as pessoas que se encontram em uma situação difícil, na rua, o que você diria? — Lutem. Ubirajara Gomes da Silva é um homem. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 24.7.08Preparativos para um eventoVou participar de um evento pedagógico no Rio de Janeiro. O material de divulgação chegou. Logo, é hora de divulgar.
Publicado por GABRIEL PERISSÉ 22.7.08Elogio à educação públicaArtigo novo no Observatório da Imprensa: A educação pública merece elogio. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 19.7.08Professores na Idade MídiaLeio e divulgo: MEC divulga lista das 64 cidades que terão laptop para professor por R$ 1.000 O MEC (Ministério da Educação) divulgou nesta sexta-feira (18/07) lista dos 64 municípios em que, a partir de agosto, professores de ensino regular poderão comprar laptops por R$ 1.000. Segundo o ministério, que lançou no começo deste mês programa de venda e financiamento de computadores para profissionais da educação, o preço do equipamento para os docentes é 35% mais baixo que o verificado no mercado. Para comprar o computador portátil com desconto, os professores deverão ir a agência dos Correios de uma das 64 cidades anunciadas, provar que trabalha em uma delas e apresentar CPF. Será divulgada, até o fim do mês, a lista completa de documentos exigidas para a compra. A partir de setembro, o programa será expandido para todas as capitais brasileiras. Nesta primeira fase, formam escolhidos os municípios com melhor desempenho no Ideb 2007. A estimativa é de que o programa alcance cerca de 3,4 milhões de professores em atividade. O projeto não contempla professores fora da educação regular, como cursos pré-vestibulares, escolas de música e de idiomas e academias de ginástica. Configuração O computador financiado pelo MEC tem 512 megabites, com possibilidade de expansão de no mínimo um gigabyte; unidade de armazenamento com capacidade mínima de 40 gigabytes; tela plana LCD; comunicação com interface sem fio (wireless) e software livre, com mais de 27 aplicativos. Os pedidos serão feitos e entregues através das 6.000 agências dos Correios. O ministério preparou, online, um portal com recursos de apoio à aula para os professores. Publicado por GABRIEL PERISSÉ |