QUEM ENSINA SEMPRE APRENDE |
21.9.08Para outro blogA partir de hoje, não haverá mais postagens neste blog. Vou concentrar minha atividade blogueira em outro, que já está em andamento faz alguns meses. É só clicar. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 20.9.08Livros que se esgotam, mas não nos esgotamLivro bom, esgotado, é um desgosto. Um desgaste. Resgatá-lo do fundo de um sebo, degustá-lo. Como o Dicionário de Borges, de Carlos Stortini, pela Editora Bertrand Brasil.
A tradução de Vera Mourão deixa a desejar. Há problemas de revisão também. O importante é Borges. Borges compensa tudo. O dicionário serve como trampolim para os livros de Borges. Claro, o melhor mesmo, sempre, é ler o texto no original. Mas são necessárias oito semanas e R$ 50,00 (pela Livraria Cultura) para ter o livro nas mãos. Lembrando: o importante é Borges, o escritor, o professor Borges. Borges foi professor durante 20 anos, e ao longo deste período reprovou apenas três alunos. Sabia avaliar. Sabia ensinar. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 19.9.08Trem e apitoOuvi do Prof. Paolo Nosella, sempre muito expressivo — que a educação sem literatura é um trem sem apito... e que a literatura sem educação é um apito sem trem. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 18.9.08Ser especialista em educaçãoFoi publicado esta semana, no Observatório da Imprensa, artigo meu sobre o que é ser especialista em educação. É só clicar. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 17.9.08Confissões de um ex-alunoO artigo de Marcelo Coelho de hoje, na Folha, é um bom ponto de partida para relembrar e repensar o ensino de ciências na escola. Vale a pena: Confissões de um ignorante COM LÉPTONS, bósons e glúons mantenho relações de distância respeitosa: admiro-os, aprecio que circulem por aí em liberdade, mas meu interesse não vai além disso. Fico sabendo da inauguração de um gigantesco colisor de hádrons na Suíça e me sinto até injusto. Diante dos enormes esforços internacionais conjuntos para fazê-lo funcionar, sei que estou perdendo alguma coisa, mas mantenho a recôndita felicidade de não saber bem o que é isso que perdi. É um daqueles assuntos que desisto de entender antes mesmo de tentar que me expliquem. Sou dos tempos em que o átomo era um simpático sistema solar em miniatura, com os elétrons em volta do núcleo, formando um desenho que imitava a forma dos alfinetes de fralda. Já não existem mais alfinetes desse jeito, graças a Deus, e o velho modelo de Rutherford já estava ultrapassado quando me fizeram tomar conhecimento dele. É culpa minha, se não me atualizo nessas matérias de ciência; não faltam excelentes livros de divulgação. Mas não é culpa minha, se o que caiu nas minhas mãos foi O Universo numa Casca de Noz, de Stephen Hawking. Vinha com ilustrações lindas, mas era didático só na aparência; dois parágrafos bastaram para que ninguém entendesse mais nada. Não é, entretanto, o único livro de divulgação científica a fazer sucesso. As livrarias estão cheias de títulos capazes de atender à curiosidade de leitores menos traumatizados do que eu. Minha pergunta é simples. Se há tanta coisa interessante nesses livros, por que transformam o ensino de ciências no ginásio e no colégio uma coisa tão chata e tão difícil? Não seria melhor dar ao aluno uma "formação científica" geral, com base em livros desse tipo, do mesmo modo que se fala em dar uma "formação humanística" ou "formação literária"? De resto, seria tudo "formação humanística": entender o método da ciência, a beleza da ciência, o engenho humano utilizado nas experiências e invenções, haveria de ser bem melhor do que treinar, como um cão pavloviano, centenas de exercícios de ótica e de química orgânica. Por sorte, não tive de lidar com esses bichos-papões na minha vida escolar. Logo fui para humanas, e o que tive de ciências foi o básico do básico. Mesmo assim, quando me lembro das aulas e das lições de casa, experimento uma revolta comigo mesmo e com o sistema escolar. Só agora, por exemplo, ocorrem-me algumas perguntas que qualquer aluno de sétima série deveria fazer; e me parece grave que não surjam com freqüência na sala de aula. Não me refiro à clássica questão, esta sempre repetida: "Para que serve essa joça?" Passo por cima disso, e vou a alguns casos concretos. Por exemplo, todos nós aprendemos as leis de Mendel, e o famoso exemplo das ervilhas de casca rugosa e lisa, logo em seguida transposto para a genética humana: genes de olhos azuis são recessivos, para olhos negros são dominantes. Todo mundo entendeu? Então, dá-lhe lição de casa. O que me espanta é que ninguém pergunte ao professor, numa hora dessas, como fica o caso dos que têm olhos castanhos, ou de um verde amarronzado... Deve haver alguma explicação para isso; envergonho-me de nunca tê-la solicitado. Aprender o modelo torna-se mais importante do que qualquer questionamento. Duas coisas morrem nessa sala de aula: o espírito de inquirição científica e o respeito aos fatos da vida real. Outro exemplo. A gente aprende na escola que a carga positiva atrai a negativa, e até nos dão uns ímãs para provar que é impossível juntar seus pólos positivos. Na aula seguinte, estamos aprendendo sobre átomos e, no célebre núcleo, encontramos um grupo de prótons grudadinhos um no outro. Novamente, ninguém levanta a mão e pergunta por que, dentro do núcleo, o positivo está grudado com outro positivo. Alguém poderia levantar essa dúvida; os professores poderiam estimulá-la, até. Mas todo mundo vai em frente na matéria. Longa vida, em todo caso, ao novo colisor de hádrons. Fico desconfiado, é verdade, com o tamanho da geringonça: 27 km! Uma coisa dessas sempre me parece meio primitiva, como os computadores a válvula, que ocupavam salas enormes. Como os primeiros marca-passos de coração, que tinham o tamanho de um armário. Ou como os dinossauros. E como eu mesmo, que já estou bem crescidinho para fazer perguntas aos professores que não tenho mais. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 16.9.08PedofobiaEm O Globo, de 13 de setembro agora, um artigo de Cristovam Buarque, tocando questões conhecidas/esquecidas: A CPI da pedofilia horrorizou o Brasil com as denúncias que fez sobre a maldita prática de criminosos contra nossas crianças. Descobrimos que ela é mais comum do que se imaginava, e é muitas vezes cometida por insuspeitos senhores. O nome dessa bestialidade deveria ser pedofobia, que segundo o dicionário significa sentir aversão a crianças. No caso do Brasil, a pedofobia é uma prática muito mais generalizada. A prostituição infantil é uma forma extrema de pedofobia. Mas há décadas, é tratada como um mal tolerável, como se fosse menos grave prostituir uma criança ou uma adolescente do que utilizá-las nas práticas da pedofilia. Abandonar crianças nas ruas também é uma forma de pedofobia. E no Brasil, essa prática é aceita com normalidade. Como se fosse uma coisa comum deixar milhões de meninos e meninas sujeitos à brutalidade do abandono. Os pais abandonam suas crianças por impossibilidade de mantê-las, mas os governos, que não criam mecanismos de proteção às crianças, são pedófobos. Amam a economia e as obras, não as crianças. E nós, que assistimos ao abandono, sem um pingo de revolta, somos pedófobos também. Deixar crianças sem brinquedos, condenadas ao trabalho quando deveriam brincar, assassinadas, espancadas, esquecidas, abandonadas são formas de pedofobia com as quais a sociedade convive, tolera sem se dar conta, sem se horrorizar, salvo em alguns casos em que a violência chega a brutalidades de violência sexual. Condenar crianças a um futuro excluído das vantagens da sociedade, cortar pela raiz seus talentos, por falta de escolas ou de escolaridade completa e de qualidade, também é pedofobia. Não pagar bem aos professores e em troca tolerar que eles não se preparem bem, não se dediquem, que façam greves deixando para as crianças a perda de um tempo irrecuperável, é uma forma de pedofobia que a sociedade brasileira comete, por ação de alguns e omissão de muitos. Nós todos praticamos essa pedofobia quando sabemos que a cada minuto 60 crianças abandonam a escola, e que as que ficam até o final do ensino médio recebem uma formação pobre. Perguntar quanto custa mudar essa realidade, aceitando que haja dinheiro para todo o resto, menos para as crianças e suas escolas, é uma forma de pedofobia bastante disseminada na sociedade brasileira. A mesma sociedade que se horroriza com a maldade da pedofilia. Cercar as escolas boas para uns poucos, deixando milhões do lado de fora; cercar os hospitais de qualidade, deixando crianças doentes no lado de fora; cercar os supermercados, deixando de fora crianças com fome, são práticas pedófobas, que muitos de nós nem sequer percebemos. O pedófilo rouba o futuro de crianças marcando-as para sempre com a violência sexual. Mas os pedófobos também roubam esse futuro, quando deixam as crianças condenadas ao analfabetismo, marcando-as definitivamente. A violência da omissão e da tolerância contra os crimes cometidos contra as crianças é um comportamento pedófobo. E ficamos aliviados quando alguns pedófilos são presos. A culpa nos monstros da pedofilia não deve esconder a responsabilidade de todos os praticantes de outras formas de pedofobia. Por isso, a resposta é sempre a mesma: não é minha culpa, não há dinheiro, não é possível. Mentiras de pedófobo. Sim, há recursos e a culpa é de cada um de nós que escolhemos dirigentes sem sensibilidade, com espírito pedófobo, que encontram dinheiro para tudo, menos para fazer o que propunha a senadora Heloisa Helena: “adotemos uma geração de pequenos brasileiros, só uma, dando-lhe tudo de que eles precisam”. Pois se o fizermos, o resto eles farão quando adultos, sem os traumas deixados por pedófilos ou pedófobos que, por meios diferentes, provocam os mesmo resultados: crianças dilaceradas, adultos angustiados. Um presente vergonhoso, o futuro comprometido. A pedofilia é uma perversão brutal que ocorre em muitos países do mundo. Mas tristemente temos de reconhecer que raros países apresentam o grau de pedofobia que se percebe no Brasil. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 15.9.08EntrevistasRecebi a revista Maringá Ensina, ano 3, nº 9 - ago./set./out. (2008), da Secretaria de Educação desta cidade paranaense. A entrevista que dei para este número ainda não está na web, mas os números anteriores podem ser lidos aqui. Também em Maringá ficaram registradas duas entrevistas para a Rádio CBN de lá, que podem ser ouvidas aqui. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 14.9.08Ser professorO último filme de Akira Kurosawa chama-se Madadayo (1992). Homenagem à figura do professor que ensina mais do que o previsto. Nas primeiras cenas, o professor entra em sala de aula: a reverência dos alunos, a irreverência do mestre. Japão, em plena Segunda Guerra. A história se baseia na vida de Hyakken Uchida (1889-1971), escritor famoso naquele país, desconhecido entre nós. Um dos poucos livros seus traduzidos para o inglês é Realm of the Dead. Segundo informações colhidas aqui-ali, trata-se de uma coletânea de contos em que a lógica e a realidade são submetidas a constantes alterações, e a idéia de identidade continuamente colocada em xeque. O protagonista é um mestre, uma criança, um sonhador, um rebelde, um poeta, um piadista, e por isso elogia tudo aquilo que faz da vida, e da sala de aula, lugar de real aprendizado. Lição de casa: ter medo do escuro é normal. É humano. Quem tem imaginação tem medo, e quem tem medo pode chorar... e rir.
Publicado por GABRIEL PERISSÉ 12.9.08Manoel de Barros educadorChegou às bancas e já está no site da Editora Segmento o novo número da Revista Educação, com um artigo meu sobre o poeta Manoel de Barros e a dimensão pedagógica de sua obra. É só clicar.
Publicado por GABRIEL PERISSÉ 3.9.08Quando vamos eleger a educação?Com este título, novo artigo no Observatório da Imprensa. É só clicar. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 2.9.08O ensino médio abaixo da média...O que fazer com o ensino médio? Não se pode mais fazer média. Uma entrevista na Folha de S. Paulo, ontem, assinada por Fábio Takahashi, pode ajudar na reflexão e na discussão: Fim do vestibular e uma base curricular unificada nacional são as medidas que a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, aponta como essenciais para melhorar a qualidade do ensino médio no país. Esse nível de ensino é considerado pelo governo federal o mais problemático de todo o sistema (não há indicativos de melhora em exames federais como o Saeb e são altos os índices de evasão e repetência). Leia abaixo a avaliação da secretária — professora licenciada em história — sobre a educação média, que será debatida nesta semana em seminário da Unicef, na Argentina. FOLHA - Como a sra. analisa a situação do ensino médio no país? MARIA DO PILAR - Das três etapas da educação básica, o médio é o que possui o maior desafio. No infantil, já há um modelo de oferta, falta construir creche. No fundamental, estão mais organizados o currículo, as avaliações e a correção do fluxo (estudantes cursando a série esperada para suas idades). No médio, ainda precisamos discutir o que os jovens têm de estudar. Digo sempre aos reitores das universidades: não vai existir vida inteligente no ensino médio enquanto houver vestibular na forma atual. O currículo tende a se ajustar a essa prova, que é seletiva e excludente. E de decoreba. Depois, precisa dar aula de reforço a esses universitários, porque o vestibular selecionou mal. Parece coisa de doido. As faculdades aprovam os meninos com uma quantidade grande de conteúdo, mas com pouca elaboração [de raciocínio]. No ano passado, em reunião do Consed [conselho dos secretários estaduais de Educação] sobre experiências de ensino médio, ficou claro que nenhum país analisado tem 12 disciplinas obrigatórias como aqui. Geralmente há uma base comum, que se resume a língua materna, literatura, matemática e história. Os alunos compõem o restante do currículo, com base no que querem fazer adiante. No Brasil, estudam física nos três anos, química, biologia, sociologia... É um acúmulo sem muito sentido para eles. FOLHA - Mas as disciplinas não são obrigatórias? PILAR - Não, as diretrizes curriculares são apenas linhas gerais. Mas a escola não tem coragem de radicalizar, porque tudo aquilo cai no vestibular. Conclusão: nem todos os jovens entram na faculdade e não fazemos uma formação aprofundada do adolescente. FOLHA - O que deve ser feito? PILAR - Em relação ao acesso à universidade, existem outras formas fora o vestibular. Há a experiência, por exemplo, da Universidade de Brasília, com o Programa de Avaliação Seriada, que avalia ano a ano os alunos. Há o Enem, que muitas universidades usam como seleção. Mas antes do vestibular, temos de entender quem é o sujeito de 15 a 17 anos no Brasil em 2008. Não podemos pensar em modelos do século passado. Os meninos decoram física e química, mas não sabem a história do pensamento científico. FOLHA - Qual a proposta do MEC? PILAR - Mexer radicalmente no currículo e discutir com coragem o acesso à universidade. Queremos chegar em fevereiro de 2009 com uma base curricular nacional. Hoje temos a diretriz curricular, mas cada Estado pode trabalhar de uma maneira. Faz sentido no regime federativo, mas algumas coisas precisam ser mais diretivas. É um processo que discutimos com toda as partes. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 1.9.08O sono e a escolaComprei hoje um livro sobre O sono na sala de aula, pela Vieira & Lent (a mesma editora que publicou o meu Os sete pecados capitais e as virtudes da educação). O tema é bem atual, levando em conta os horários das famílias contemporâneas, cercadas de vida eletrônica, lâmpadas acesas e programações noturnas. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 30.8.08Em MaringáConversando com 600 professores, a maioria de Maringá (PR), mas também vários professores de vinte outras cidades próximas. Quem ensina sempre aprende. Palestra e oficina. Que são dois gêneros pedagógicos diferentes. A palestra é fala. Que pede diálogo, mas pode andar sem ele. Oficina é opus facere. É fazer alguma coisa. Atuar. Os professores pensaram na arte de ensinar. Descobriram alunos que ventam. E ventaram com eles, buscando rumos para rumar, remos para remar, rimas para rimar. Publicado por GABRIEL PERISSÉ 29.8.08Mês de setembro à vistaHábito adquirido na juventude, a cada final do mês começo a planejar o seguinte, a antecipar e, no caso, a divulgar. Este evento em Apucarana (PR) promete: Publicado por GABRIEL PERISSÉ 28.8.08Quem faz a faculdade?Dizem alguns que quem faz a faculdade é o aluno. Que situações externas precárias são superadas pela força de vontade, pelo interesse pessoal, pela dedicação do indivíduo livre. Certo. Errado. Para que instituições, então, se o esforço do estudante supre as carências? Outra questão. Alunos de uma certa faculdade privada estão pensando em pedir a devolução do dinheiro "investido", depois de constatado o mau desempenho da instituição no Enade. A faculdade seria a principal culpada. Certo. Errado. Se a faculdade (como empresa...) prometeu entregar um serviço e um bom resultado, faz sentido. Por outro lado, quem garante que o aluno não foi conivente? Publicado por GABRIEL PERISSÉ |